quarta-feira, 30 de agosto de 2023

"Como é possível gostar tanto de alguém que está tão longe?"

Eu sei, eu sei, é estranho eu pensar isso. Seria um questionamento um tanto normal e natural para uma pessoa se fazer. Mas, visto meu histórico, me pegou desprevenida que esse questionamento tenha chego assim pra mim, como se fosse uma novidade, me deixando surpresa.

Por vezes eu me encontro perdida em pensamentos e ilusões, criando histórias infundadas na minha cabeça, vivendo aventuras diversas e intensas sem proferir nenhuma palavra ou sair do lugar. São ações que eu sempre fiz, a minha vida toda, me envolvendo assim em tantas situações que na verdade jamais aconteceram... pelo menos não fora da minha mente. 

Atualmente, você tem dominado as histórias! De um dia para o outro você foi se tornando a cada momento um pensamento mais constante pra mim, e eu me pego pensando em ti, o tempo todo. Você, que sempre esteve comigo, já faz parte da minha vida, e eu não achei que era possível que conseguisse adentrar tão mais nela como tem feito, mesmo sem saber.

Hoje, com a mente tão livre, ela voltou para você, criou histórias e bons momentos, e, de repente, eu me dispus consciente: eu ensaiei falas, pensei em frases para te falar e explicar, e não era só dessas histórias que ficam na mente, eu tinha intenção de fazê-las acontecer. 

E eu pensei, pensei "como é possível gostar tanto de alguém que está tão longe, há tanto tempo?"... como eu gosto de ti! Como eu queria poder olhar em seus olhos, segurar suas mãos e te dizer o quanto eu gosto de ti. Cansei de fingir que não, de me sancionar e amenizar todas as vezes que falei disso, e olha que eu evitei muito falar disso e falei tão pouco.

A verdade é que há tempos você deveria saber como eu me sinto em relação a você, como você me faz sentir, como o seu sorriso me alegra, suas palavras me acolhem, sua sabedoria me encanta e sua presença, mesmo de tão longe, me fortalece. Conversar contigo sempre fez dos meus dias melhores! E mesmo sem te ver a tanto tempo, seu abraço ainda é meu favorito.

Como é possível? 

Eu só encontro explicação na ilusão, pois, talvez, todo esse tempo e toda essa distância auxiliaram na construção de um você que é único, um ideal formado pelo meu imaginário, e por isso se encaixa tão perfeitamente com meus sentimentos... Será?

Não sei! E importa a resposta? Você já reside forte em minha mente, de modo que talvez eu já não consiga podar e controlar o desejo impulsivo de comunicar-lhe! Ah, quem sabe um dia eu te informe sobre tudo isso. De quantas formas mais eu poderia me surpreender, com questões que eram para ser tão óbvias para mim, se eu permitir que você saiba!? Se eu permitir que meu coração realmente sinta!? 

É, deve ser por isso que é possível: porque você, mesmo sem saber, me faz questionar, me faz sentir, e me toca de tantas formas, que por vezes não há necessidade nem de mero contato... 


(28/08/2021)

terça-feira, 19 de maio de 2020

Resposta pra você!

Meus hábitos noturnos ainda são os mesmos, eu continuo acordada noite adentro, e quase - por questão de 20 minutos - você não me encontrava desperta. Talvez foi melhor assim!

Se isso vai chegar até você!? Eu não faço ideia, mas, parece uma forma interessante de tentar. Além do mais, parece a única, uma vez que acredito que se esforçou para que eu não pudesse responder de modo tradicional.

Eu me surpreendi com o contato, de verdade, não esperava por isso. Foi uma agradável surpresa! Curiosamente, eu soube ser você, desde o primeiro momento, mesmo sem entender (à priori) a assinatura. Eu a ignorei, para ser sincera. Contudo, horas mais tarde, eu fui tentar entender: "será que é ele mesmo? E, essa assinatura?", e, ao divagar... Eureka! Tudo ficou tão claro, achei muito bem pensado. Genial!

Memória louvável a tua, mesmo com toda a dedicação para esquecer! Seria um desperdício se eu já tivesse mudado de número. Mas, algo me diz que você já sabe que eu recebi, e que viu meu breve recado para você. Será que é você também quem tem recentemente visualizado meus stories no anonimato? 

Confesso que reli muitos dos últimos textos desse blog, para saber o que você teria lido! E, não sei se foi proposital, mas percebi que a primeira mensagem foi enviada no mesmo horário que eu falo em um dos textos. Parece tudo tão arquitetado! Ademais, na medida que fui escrevendo esse texto, eu reparei outras diversas coincidências.

Enfim, coincidência ou não, anos atrás, depois das turbulências, todas as vezes que eu te via pessoalmente eram no mesmo dia ou pouco tempo após você aparecer em algum sonho meu. Eu achava isso muito peculiar! Algumas dessas vezes você nem me viu, pois eu estava de carro, ou te via distante em algum lugar. Acreditaria se eu dissesse que essa semana eu sonhei? Mas, eu sabia que não o veria! E eu nem me recordava do sonho, até ver as mensagens! 

Por sinal, chegaram cortadas! Então eu posso não ter acesso a partes do que desejava que eu soubesse. Também não faço a menor ideia se foi apenas uma frase, ou grande parte do texto, e isso desperta minha curiosidade! 

Já a sua deve ter sido bem saciada pelas minhas redes sociais. Suponho que tenha visto que eu voltei para meu voluntariado, em um cargo que sempre foi a minha cara! Foi incrível, eu verdadeiramente gostei e sou grata por ter vivido isso, e pelas pessoas com as quais trabalhei, e o quanto me valorizavam. Sobre o que tentei e não deu certo, bom, você sabe que lido bem com isso (ou, como você já me disse: "talvez minha ficha não caiu ainda" rs) e foi bem tranquilo, aconteceu que infelizmente o meu cargo não existiria mais e esse foi o motivo.
Ah, algo que não expus e provavelmente você adoraria saber: na cidade natal, eu tenho vários cachorrinhos, todos muito fofos!

Lembrei de ti no seu aniversário! Até tentei saber como você estava, mas sem muito sucesso. Você diz que não sabe o porquê lembrou de mim, talvez por alguma brincadeira do Universo, pelo fato de no dia anterior eu ter achado várias coisas antigas no meu notebook: como fotos com amigos daquela época estudantil, poemas, músicas e até uma apresentação de power point de despedida que fizemos para você. Lembrava que isso existiu? Eu já não fazia ideia!

Eu não sei muito sobre você mais, e também não acho que tentará manter algum contato comigo, mas... Eu espero que esteja muito feliz, bem e satisfeito com a sua vida. Desejo que você continue conquistando seus sonhos, pessoais, profissionais, espirituais. Anseio que resida em seu coração a paz de Cristo, sempre os abençoando, protegendo e iluminando!

Sim, você também me marcou. Não importa os anos que passem eu lembrarei da sua existência, da sua amizade, e não guardo mágoa alguma. Espero que você também não guarde, e que tenha me perdoado pelas dores causadas. 

E, você sabe, eu sou uma menina de palavra, mantenho minhas promessas: sempre que precisar de algo, estarei à disposição (e agora eu sei que você consegue me encontrar rs)! Saiba que isso se estende a sua família. No mais, eu lembro e cumpriria minha promessa de presente de casamento, mas você parou de falar comigo, ai ficou difícil rs's

P.s.: Caso você leia, se puder e não lhe for um problema, me mande um sinal, pelo menos para eu saber que chegou ao destino! Obrigada por tudo e pelo contato, mesmo que tão pouco usual! 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Eu perdi!

A verdade é que eu perdi. E se me perguntares o que, eu não saberia especificar. Foram tantas as coisas que perdi ultimamente que eu não saberia te dizer. Não, eu não perdi nada físico. Quer dizer, também, mas não é o que me dá essa sensação de vazio no peito e na alma. Em algum momento da trajetória eu perdi coisas muito mais fundamentais para minha momentânea felicidade, para minha compreensão da realidade, para o meu presente e para o meu futuro.

Ontem estava ali, deitada, reparando nos fatos e eu vi, como uma fogueira que demora para acender, até flamejar imponente, e aos poucos ir diminuindo. Eu te perdi!

Eu te vi me deixando, e tentei lutar. Eu vi aos poucos como ia para outros cantos, e eu te querer mesmo assim. Eu te vi me desquerendo, me afastando, e eu ainda tentando. Te vejo correndo na direção oposta, e eu permanecendo. E eu sigo acreditando que podíamos dar certo, que há solução e enxergando pontos de melhora, mas, é fato: talvez você esteja fazendo o certo, pois algo rompeu e não sei concertar. Eu relembrei da nossa história, eu te vi comigo e eu senti saudades, mas parece que os caminhos não são mais os mesmos que sonhei, que o nó desatou e você soube o que fazer com isso. 

Ontem estava ali, acostada, olhando pra trás e eu vi, como um relâmpago que atravessa o céu, reluzente, em meio a uma tempestade. Eu me perdi!

Eu não acredito mais nas ideias que eu tinha pra mim, eu não confio mais que elas possam ser alcançadas, ou que terá alegria que eu esperava no final da estrada. Eu sigo buscando e seguindo por caminhos, com esperança e anseios, mas, eu já percebi: não vou chegar no objetivo. Eu vou me perder pelas passarelas, pelas trilhas, vou ter devaneios nos atalhos e ficar desolada na floresta. Eu vou correr, correr e sair dali, e enfim passear por novas vielas, mas não vou chegar na rua principal. Tudo que eu sonhei pra mim, será um sonho e a minha vida algo diferente do que pensei.

Ontem estava ali, refletindo, pensando na vida e eu vi, como uma onda alta e forte, que vem rápido na sua direção, e dá a certeza que vai te levar. Eu perdi!

A confiança. O rumo. A vontade. 

Quando por alguns minutos ganhei a clara noção da realidade, eu me perdi nela! 

Estou me queimando no fogo. Eu vi o raio cortar o Céu. A onda está me levando, eu não sei para onde ou por quanto ela me arrastará, e eu nem sei nadar. Eu estou perdendo, e agora eu só me pergunto: 
Será que já é muito tarde para assumir o controle e aprender a surfar?

domingo, 10 de setembro de 2017

Eu ainda penso em você!

A verdade é que não importa se já se passaram meses, eu ainda penso em você!
Penso em você diariamente, e cada dia isso tem me atormentado mais. Eu não deveria sentir isso, mas é incontrolável. Penso em você de um modo leve e descontraído. Você chega aos meus pensamentos como quem não quer nada e vai tomando conta, dominando e se fazendo cada vez mais presente.
Todas as vezes que eu vejo horas iguais, eu penso em você, é involuntário. Não sei o que fazer, mal sei transcrever o que se passa, mas, tocou aquela música que você gosta e pronto, lembrei de você. Outro dia foi ver um artigo que lhe interessaria; foi ler sobre o teu signo; foi cantar sozinha; foi abrir o Facebook; foi dizer que conheço uma pessoa melhor que ela mesma; foi ver a sua cor favorita; foi abrir o armário e ver aquela massa que eu acabei não fazendo pra você; foi pensar que se eu fosse fazê-la agora eu precisaria comprar ingredientes que você adora... Foi tanta coisa!
E quem me dera se fosse, mas mais do que ser, é, é presente, constante, tão vivo e renascido dentro de mim! Eu ainda penso em você, e te teria como meu melhor amigo, como a pessoa que mais me conhece, como alguém que eu sinto tanto a falta... Sabe!? É tão complicado você não morrer em mim, pois eu penso em você e tenho que manter tudo guardado absolutamente em mim, não dá pra transmitir, ninguém além de nós entenderia tão bem, e você... Bom, você sabe: você não quer saber de mim, e eu tento entender e respeitar, é um direito seu não me ter estorvando a sua mente e o seu coração!
Se eu pudesse, eu faria o mesmo, te tiraria da vida e seguiria como se nada tivesse acontecido, deixando pra trás, sem receio, os bons e maus momentos que passamos, seria fantástico! Ah, quem dera, a quem eu desejo enganar!? A você? Só se for, pra fingir que não te quero, fingir que prefiro continuar sem você! Toda uma farsa isso... A verdade é que, mas do que pensar em ti, eu penso com carinho e afeto, e eu nunca desejaria tirar isso de mim! Amenizar os efeitos? Sim, isso sim, pois você me abala muito, pensar em ti me dilacera, mas deve ser também por ter noção de que a recíproca não é verdadeira, e, se for, eu jamais saberei!
Agora são 3h26 da manhã e eu não sei fazer outra coisa que não seja pensar em você, então eu me deleito a escrever, na esperança de que isso me alivie a alma e acalme o coração! Talvez um dia você leia isso e saiba que, ao contrário do que pensas, eu não te esqueci. Você pode ter me renunciado, mas, eu ainda te tenho aonde jamais poderei controlar para que pudesse simplesmente te renunciar!
Bem ou mal, sigo pensando em ti, e, talvez, quem sabe um dia eu possa lhe dizer o que você causa em meu ser, que, apesar de tudo que vivemos, sempre me recordarei de ti com bons olhos e muito carinho, afinal, eu descobri:
Há pessoas que são importantes demais para nós para que possam ser esquecidas! Eu vou me lembrar de ti... 

Ah, eu quase esqueci de dizer: hoje, mais uma vez, eu me peguei pensando em você!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Me lembre

Se caso eu esquecer:

Me lembra de te dizer qual é a minha primeira lembrança sua.
... O que eu pensei ao ler os primeiros versos que você fez para mim.
... Que eu esperava a hora de poder te dar "bom dia".
... Que eu escolhia as cores do meu batom pensando em você.
... O quão era estranho quando você não aparecia.
... Que, apesar da agonia, era divertido quando você me pegava no colo, me tirava do chão.
... Que eu gostava de fingir estar dormindo só para ouvir seu coração.
Me lembra de te dizer como são meus sonhos com você.
... Que eu nem preciso adormecer, é só fechar os olhos e você aparece.
Me lembra de te dizer o quão você fica bem naquela sua camisa preta.
... Que aquele seu casaco bege te deixa charmoso.
... Que adoro quando você usa aquela sua jaqueta de couro.
... O quanto eu gosto de seu corte de cabelo.
... Que para mim o seu perfume é bom.
... O quão adorável é sua voz quando está com sono.
... E que as melodias que ela embala são lindas aos meus ouvidos.
Me lembra de te dizer que eu nunca vou esquecer das vezes que me pediu em namoro.
... Dos seus olhares apaixonados.
... Do seu jeitinho todo carinhoso.
... Das palavras de afeto que me proferia.
... E de todas as juras e promessas de amor que fez.
Me lembra de te dizer a falta que você faz quando não está comigo.
... Que eu não gosto quando a gente briga.
... Que o seu ciúmes não tem fundamento, mas uma parte dele até é fofa.
... Que de certa forma eu tenho medo de te perder.
... O quanto eu choro quando sinto que isso vai acontecer.
... E o tanto que sofri quando você se foi.
Me lembra de te dizer que era chato te ver com outras.
... E que me era confuso você, mesmo assim, querer estar comigo.
Me lembra de te dizer que as coisas que você me fez serão difíceis de superar.
... Tanto as boas, quanto as más.
... Você me faz muito bem, mas também me machucou muito.
... E algumas coisas a gente perdoa, mas o coração não apaga.
Me lembra de te dizer que, mesmo assim, eu sempre confiei.
... Que eu tentei o máximo que eu pude entender seus motivos.
... Que eu me esforcei muito e até consegui avanços que eu nem acreditava.
... Que por tempos eu me recriei para tentar dar certo.
... Mas que algumas perguntas nunca me traziam respostas, só mais questionamentos.
... Eu acreditava que teríamos uma linda história, só com mais vírgulas do que o esperado.
... Só mais tarde eu percebi que algumas páginas não seriam escritas pra nós dois.
Me lembra de te dizer que, não importa o ocorrido, você sempre terá sido meu melhor amigo.
... Que independente do que aconteça estarei sempre aqui para o que precisar.
... Que você ainda pode contar comigo.
Ah, também me lembra de te dizer que eu realmente te adorava.
... E que, ao contrário do que você pensa, eu não desisti.
... Mas, às vezes, nossa melhor opção, infelizmente, é partir.

Mas, se caso você não lembrar de nada disso, só me faça um pequeno favor:
Me lembre de não te esquecer e não se esqueça de lembrar de mim!


(Começo do processo de escrita em 16/03/14)

sábado, 5 de março de 2016

Escuridão Contemplativa

Com os olhos evitando cerrarem-se, na escuridão contemplativa das horas perdidas da noite, eu procuro um ponto em que me fixar. A luz da Lua é perfeitamente filtrada por entre a janela do meu quarto e vem aterrizar-se em minha fronte, despertando pensamentos desatinados que perpassam, saem e voltam a matinar dentro de mim.
Me senti perdendo-lhe, escorrendo por entre meus dedos, inundando-me e levando um pouco de mim, no fluxo incessante de sensações que me agonizam. Sem sucesso, tento prender-te a mim, agarrar o vazio, na esperança de moldá-lo a sua imagem, enquanto observo piamente que meus atos não são validados, que estou desmoronando, dando apenas espaço a brusca realidade fria que preenche o meu ser.


(10/02/2014)

sexta-feira, 7 de março de 2014

"Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa…”

Você quis partir e eu não estava disposta a implorar para que permanecesse. Eu fui embora uma vez, eu precisava. Tinha consciência que às vezes há necessidades que nos fazem até mesmo deixar alguém que se gosta. Não te julgaria por isso.
Você não entendeu meu gesto e eu não acreditei ser válido me defender. Se você não compreendia, talvez realmente não fizesse sentido. Eu ouvi quieta os seus desabafos. Tinha ideia do que podia acarretar, mas, eu estava disposta a me submeter. Não te culparia por isso.
Você disse, foi e fez. Contudo, algo aquietava-lhe. Transtorno. Eu ouvi, vi e senti. Me coloquei a disposição. Mesmo ferida.
Se recuperou, prosseguiu e, algumas vezes, tive sinais de sua vida. Ou a parte que você tinha coragem de me comunicar. Foi uma fase uma tanto complicada.
E eu perdi o controle, pensei demais, chorei. Chorei. Pensei. Escrevi. Chorei. "Está tudo bem?" - "Estou ótima!". Chorei. Vi estrelas cadentes. Chorei. Enfim, epifania.
E o encaixe tinha concerto. Realmente, estava tudo bem. Agradável, satisfatório. É o que, invalidamente, acreditei. Até você decidir voltar, até o que seria a sua próxima conturbação. Elas, de uma maneira ou outra, sempre me envolveram.
Me recompus. Era preciso ajudar-lhe. E, lidar com você? Questão de tempo, habilidade e conhecimento. Sobre você. E sobre mim. Mas, cuidar de você, tratar-lhe... Isso já não era mais responsabilidade minha, há meses!? Pois bem, não deveria ser.
Um clamor. Em um recado de urgência. Aflição. Em um telefonema. Me deixar de fora nunca pareceu uma possibilidade, ao meu ver, para você. Perante e durante o passar dos dias que me conheceu, fez-me muitas promessas, mas, uma, colocou implicitamente - eu seria sua: sua salvação, sua falha, sua culpa, sua desculpa, sua presença, sua falta, sua cura, sua crise.
Sofres? Eu sei que sim. Passou por fatos complicados, situações alarmantes. Mas, com pesar, não foste o único. Teve desventuras. Tão e quão drásticas outros tantos puderem fatidicamente ter.
Um ano para se apagar? Porque não dois!? Foi uma bela intercalada. Fez-lhe mal? Adivinhe, eu também senti, em mim. Uma montanha-russa, invariavelmente entre altos e baixos.
“Não demores assim, que é exasperante. Você quis partir, vai-te embora”. E veja bem se vai voltar, dessa vez. Analise bem se é mesmo o que quer. Não sou uma vítima. Indefesa. Boa menina. Antídoto. Mas também mereço sair e me descobrir. Não posso garantir quedar imutável, e a sua espera.
Veja bem, em meio aos “até mais” poderá ouvir um “adeus”. Não é por maldade, espero que entenda. Sempre foi muito exaustivo sentir-te ir e vir.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Novamente Impacto

Um ano se passa e os sentimentos revivem: situações passadas, sensações relutantes, algo nela teima em continuar processando a intensidade dessas recordações e acumula-las as novas histórias que já podem ser somadas as suas vidas.
E no passo da poesia, ela diria a ele, sem deslizes, aludindo a Caio Fernando de Abreu: “gostei muito que você tivesse voltado, deu vontade de ficar mais tempo junto, deu vontade de levar essa história até o fim - e eu não tenho a menor ideia do que você pensa a respeito, a gente não conversa sobre isso, só fica fazendo uma linha nada-tem-muita-importância, ou algo assim.”
Venho lhes contar que há um ano e, com exatidão, uma semana e um dia, ela diria que queria ele por perto, pessoalmente, para poder enfim dizer o que trazia consigo, dizer o que ele a havia causado, o que conseguiu. Não se arrependia do sentimentalismo lhe proporcionado. Acreditava que só seria certo e realmente válido se declarar frente a frente, de maneira que poderia fixar seus olhos nos dele. Ela clamaria a coragem que, por favor, não saísse dela, porque se continuasse assim, tudo iria dar certo, suas notas iriam corresponder a sua vontade de se declarar. Afinal, eu sabia, ela não poderia continuar fugindo. E não precisava saber o que passava com ele a respeito desse assunto, apesar de querer, e muito, porém, queria ela saciar logo o seu dever, de falar, de informar, o que se passa consigo, a respeito dele.
Hoje, e a precisão é tanta que me faz perceber que trato o caso exatamente no dia em que completa um ano que ela fez o que queria, talvez não exatamente como o planejado, visto a inexperiência do momento, dos pulsos acelerados, que fizeram os magnânimos discursos esvaírem e sair tudo meio jogado, borrado, sem jeito… Hoje eu já sei o que aconteceu depois e ela percebeu que o tempo passa, o ambiente é outro, as coisas mudam, a história cresce, a vida ensina, sim, ela ainda tem um cotidiano corrido, mas a rotina também é outra e ela conhece mais pessoas, sorri alegremente, dança na chuva, sente com veemência, tem novas experiências e sabe habilmente que detrás de redemoinhos de inexatidão há portais e não portas. Entretanto… Impacto, ahh, aquela mesma dádiva certa oferecida pela circunstâncias. Um ano se passa e os sentimentos revivem: situações passadas, sensações relutantes, algo nela teima em continuar processando a intensidade dessas recordações e acumula-las as novas histórias que já podem ser somadas as suas vidas. Seus caminhos se cruzaram novamente. E ela ainda se vê confusa, perdida diante dele, dos toques que a afagam, dos olhos que os aproximam. Novamente os dois seguem, de mãos atadas, aos sorrisos e no meio de palavras desbaratadas, há ósculos perdidos. Na descontração dos momentos juntos vem a sensação do mundo próprio, só deles, alienados as preocupações cerceadas em congestionamentos ambulantes.
Ao vê-los dessa maneira, surge a leve impressão de um tempo que não chegou a passar e se mostra com clareza que a história é realmente preenchida por singelas anacicloses enigmáticas e certeiras.
E eu por fora observo o que os envolvidos não atestam: tomados pelos pulsos acelerados, não se atrevem a entrever em seus olhares fumegantes, de pupilas dilatadas, a imagem infundada perpassada em eventos remotos. Ligados ao passado, entretidos no presente, ambos ainda tem a expressão gélida em detrimento do futuro. Os amantes das fábulas podem se contentar com um “felizes para sempre”, mas os prisioneiros do conto prosseguem trilhando os diversos caminhos que os separam, ou que os esperam. A confusão já não os detém, a incerteza já não os convém. E eu, descritora, ainda lúcida, intrigada, acompanho a saga, e me deleito a contempla-la na escrita… enquanto entender, enquanto não me cansar desse “algo assim”, enquanto for importante, enquanto ainda tentar, eu posso continuar, eu posso aceitar. Mas, e ele? Ainda não terá nada a falar?