quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Límpidas Gotículas

A chuva veio para lavar-me e levar as magoas guardadas comigo. Para renovar a força estabelecida em mim, que eu já não encontrava mais. E no meio da tempestade eu achava-me, encontrava comigo mesma, antes perdida nos turbilhões, não chuvosos, do mundo. 
Eu queria tanto que você não se fosse, mas isso é inalterável... A chuva lava teu caminho, purifica-o e auxilia-te a deixar-me. Ela, pelo menos, esconde minhas lágrimas, que são confundidas apenas com suas límpidas gotas garoantes.
Dentro dessa confusão eu tento entender os meus motivos de evitar-te, de preferir encharcar-me a te encontrar, de utilizar gotículas como desculpa, definir-me sem você... Parece longiguo o caminho para minhas inválidas respostas. Explique-me se puder, explique-me se for capaz: porque então não estou cá eu a correr para teu encontro, saborear o teu abraço, dedicando-lhe ao menos uma palavra amiga, uma última suplica singela? Porque estou aqui, parada, vendo-te ir, tendo ambos só uma companhia, a chuva? É isso... Sempre há de ser assim. Não é a primeira vez e talvez tema não ser a última... Quando se vão, e inevitavelmente sempre se vão, só me resta isso, a chuva.
Minha solidão... Eu devia ter ido até você, antes que se fosse. Eu sabia que talvez nunca mais o veria. Qual o meu problema? Eu deveria mesmo estar a chorar, lagrimejar... Mereço essa solidão, mereço toda essa chuva tempestiva sobre mim. Fiz minha escolha.
Mas eu vou aprender. Aprender a viver sem te ver todos os meus dias. Vou lembrar. Lembrar de nossos momentos. Vou correr. Correr toda vez que pensar ter te visto. Vou falar. Falar, quando puder, quando te ver, o que eu deveria ter realmente feito. Vou sentir. Sentir a cada dia o remorço de não ter feito e emoção a cada vez que te idealizar comigo outra vez. E vou... Eu vou... Vou fugir, apesar de tudo, apesar de todo sentimento, toda minha desolação, apesar de tudo que você marcou e representa para mim, apesar de tudo, vou fugir toda vez que te ver caminhando em minha direção, pronto para amparar-me, para segurar-me, para prometer-me o mundo, para resgatar-me da minha vasta e simploria solidão amiga, toda vez que eu sentir que poderemos ser de novo ambos um do outro, vou fugir. Vou fugir porque sei que mais uma vez poderás ir, se vai para um distante de mim, e assim levará, novamente, meu coração contigo. Sem me deixar nada além das lembranças e recordações de anseios vividos e despedidas não feitas.
E pela necessidade implacável do destino, com a sensação das grandes ventanias soltas, a chuva volta a despejar-se sobre mim. Vinda para lavar-me e levar as magoas guardadas comigo. Para que pudesse simbolizar o nosso "adeus" não pronunciado. Renovar a força estabelecida em mim, que eu já não encontrava mais. E no meio da tempestade eu achava-me, encontrava comigo mesma, antes perdida nos turbilhões, não chuvosos, do mundo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Cometas e Estrelas

(Sem inspiração para escrever agora, então... Ei de pegar emprestado as palavras de um amigo meu... Talvez ele nem lembre, mas ele foi o autor desse texto, em seu formato original, mas agora será postado com as minhas alterações...)

"Há pessoas Estrelas. Há pessoas Cometas.
Os Cometas passam e retornam, muitas vezes apenas são lembrados pelas datas. As Estrelas quedam.
Há diversas pessoas Cometas: passam por nossas vidas por instantes. Não nos prende e a ninguém se prende. Pessoas sem amigos verdadeiros. Passam sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença efetiva. Existe diversas pessoas Cometas.
Assim são vários artistas. Brilham apenas nos palcos da vida e com a mesma rapidez com que aparecem, também desaparecem... Assim são vários 'reis e rainhas' de demasiados tipos: reis de nação ou rainhas de concursos. Assim são rapazes e moças que se enamoram e se deixam com grande facilidade. Assim são pessoas que vivem em uma mesma família e que só passam pelo outro sem marcar sua presença.
O importante deveria ser pessoas Estrelas: estar presente. Marcar presença. Estar junto. Ser luz. Ser calor. Ser vida. Amigos verdadeiros são Estrelas. Pode passar os anos, surgir a distância, mas a marca fica no coração. Coração esse que não quer enamorar-se de Cometas, conhecidos por atraírem os fogosos olhares passageiros.
Oh, Cometas... Um momento, passam, batemos palma e se vão... O ser Cometa representa não o ser amigo, mas sim o companheiro por instantes, às vezes zombando dos sentimentos alheios, aproveitando de situações. Aquele no qual se acredita e descrê, concomitantemente.
Solidão pode ser o resultado de uma vida, ou uma fase, Cometa... Não que a solidão seja de todo precária, mas com o tempo...
Ninguém fica eternamente. Todos passam. Nós passamos todo o dia... E passamos pelos outros. Talvez essa seja a necessidade de criar-se um mundo de Estrelas: todos os dias poder vê-las e senti-las. Poder contar com elas. Poder ver sua luz, seu calor... Assim são os amigos verídicos. Estrelas em nossa mera existência. Podemos contar com eles, saber que são presença. São aragem nos momentos de tensão. São luzes nos momentos de escuridão. São segurança nos momentos de desanimo. 
Olhando Cometas é bom não se sentir como eles, nem desejar se prender em sua calda. Olhando Cometas é bom sentir-se Estrela, marcando presença. Ter vivido e construído uma história pessoal. Ter sido calor para, mesmo que poucos, corações. 
Ser Estrela neste mundo passageiro, nesse mundo invadido de Cometas, é um desafio, mas, acima de tal, uma recompensa. É podem ter a sensação de ter vivido e não apenas existido."

(A imagem está de baixa qualidade, porque é um desenho meu...)