quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Senhorita Cama

Cama? Me responda, sinceramente, se for de seu alcance: porque eu decidi sair de você no dia de hoje? Acho que de certa forma eu sei. Acredito que eu achasse que hoje seria um dia bom, um dia pacato, um dia alegre, um dia agitado, um dia eu que me divertisse muito ou simplesmente pudesse sorrir contente por alguma coisa realmente significativa, mas... Não!
Levantar para encarar um dia de decepções, que podem não ter ocorrido, de angústias, que são exageradas por mim, de... de não sei ao certo se posso classificar como a falha da existência. Tempestade em copo d'água? Tsunami na tampinha de refrigerante? É, talvez...
Só sei que tem hora que eu prefiro depreciar essa vida mesmo, me sentir mal e me culpar pela "belíssima" existência que eu tenho e o que eu proporciono as pessoas ao meu redor, que creio não ser bom para elas. Crise existencial? Imagina... Já passei dessa.
Ao som de trilhas sonoras eu tentei me retirar do dia de hoje, mas não foi o suficiente. Então eu resolvi, simploriamente, escolher uma e me prostrar a escrever. Aliviar-me... E, por essas e outras, nem sei se o que escrevo será visto por alguém. Prefiro me calar, me preocupar sozinha, não é necessário que outras pessoas tentem tomar conta do que é meu.
E enquanto escrevo me renovo, as coisas eu esqueço. Eu me recupero do dia. O que me aconteceu? Nada, definitivamente nada que mereça atenção e acho que isso é exatamente o que eu devia fazer: não prestar atenção em mais nada. Assim a probabilidade de acreditar que nada me atinge é maior... Oh, Macabéia, me ensine essa sua vida e se eu acabar pela calçada também, quem se importa!?
Eu já sorrio. Forte manifestação sobre si mesma. Bipolar? Quem sabe!?
E depois de escrever tudo acima eu retomo ao estado de costume. Costume para as pessoas que me conhecem. Estou a decidir que não vou disseminar essa mensagem. Porque? Se me arrependi de transcreve-la? Não, só já não a acho mais necessária. Sua função de desencargo já se cumpriu.
Guarda-la? Não.
Se o coração comprime, a temperatura aumenta e os dedos frenéticos digitam é que algo aconteceu.
Vai, meu caro, texto meu, vai fazer sua função. Quem sou eu para impedir-te?
Afinal, "não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim”!

Obs.: Quero, encarecidamente, agradecer a senhorita Cama, sim, senhorita, pois é solteira, essa que me dá suporte todos os dias e que, agora, como uma ótima psicologa, não me respondeu a pergunta, deixando assim a dúvida sadia e molesta, que, dessa forma, dará continuidade a inotória existência minha para aturdir-me outro dia qualquer.

Post-Scriptum: Incrível, a vida surprende: acabo de receber uma bela notícia. É, realmente, são tempos de morangos!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Tão perto...

E de repente você se encontra tão perto, tão perto que é possível ouvir a velocidade dos movimentos de sistole e diástole que seu coração exerce e que, de certa forma, me envolve, incontrolavelmente. É imprescindível sentir sua respiração sobre a minha pele. Você se encontra tão próximo e temo que tal proximidade não veio sem motivo. Você sabe o que quer, você sabe, exatamente, o que está fazendo e isso é que me deixa nervosa. Tenho a pretensão de me distanciar, me afastar, fugir desse destino certo que nos aguarda. Quero falar-lhe algo para quebrar esse clima que paira entre nós, mas, porquê? Todas as palavras se esvaíram de minha mente e eu, realmente, necessito delas para resistir. Olhar no fundos dos seus olhos, de tão perto, e não ter o que falar? É uma intimação a não conseguir impedir a inércia que tende fazer minha pessoa prosseguir de encontro a você. Verdadeiramente, o que esperava de mim? Eu tenho certeza que faz isso de propósito, porque sabe o que mexe comigo, o que me atordoa. E eu me encontro ai, perdida, diante de você, tão perto que é melhor não me mover, apesar da dificuldade. Espero que as actinas e miosinas dos meus músculos usem seus neurônios melhor do que eu mesma tenho desejado. Acho que estou assustada, não estou acostumada com essa situação. É, é isso, eu poderia desmaiar, agora, me pouparia de continuar aqui, dessa forma, mas não, eu estou aqui, sã e despertada e meu líbido continua em equilíbrio, tudo funcionando devidamente bem, menos meu coração, descompassado, minha respiração, ofegante, minha pele, suando frio e arrepiada. Como você consegue e aparentemente tão calmo, paciente? Estou me afogando, rapidamente,  nesse turbilhão de pensamentos que afloram em meu consciente e por um instante eu esqueço que estou em frente a você. Com as portas da alma cerradas eu tento me situar, sobreviver. Sua mão repousa, delicadamente, em meus cabelos. Esse momento tem durado uma eternidade, uma eternidade um tanto provocativa. Seus dedos me fazem carinho, circundando minha face e, agora sim, definitivamente, me direcionando para o que ansiamos. E nossos pólos são opostos, eu já não tenho mais o que fazer, não tenho como repelir... E em um sobressalto dou um suspiro de alívio. Me encontrando, entendo que tudo isso não passava de um desejo do meu inconsciente. Ao abrir meus olhos percebo que, realmente, eu havia adormecido, mas em teus braços. E de repente você estava tão perto, tão perto que eu podia sentir teus batimentos cardíacos, sua respiração pausada. Você estava tão perto, tão perto de tornar meu sonho a minha realidade, inefavelmente.