Cama? Me responda, sinceramente, se for de seu alcance: porque eu decidi sair de você no dia de hoje? Acho que de certa forma eu sei. Acredito que eu achasse que hoje seria um dia bom, um dia pacato, um dia alegre, um dia agitado, um dia eu que me divertisse muito ou simplesmente pudesse sorrir contente por alguma coisa realmente significativa, mas... Não!
Levantar para encarar um dia de decepções, que podem não ter ocorrido, de angústias, que são exageradas por mim, de... de não sei ao certo se posso classificar como a falha da existência. Tempestade em copo d'água? Tsunami na tampinha de refrigerante? É, talvez...
Só sei que tem hora que eu prefiro depreciar essa vida mesmo, me sentir mal e me culpar pela "belíssima" existência que eu tenho e o que eu proporciono as pessoas ao meu redor, que creio não ser bom para elas. Crise existencial? Imagina... Já passei dessa.
Ao som de trilhas sonoras eu tentei me retirar do dia de hoje, mas não foi o suficiente. Então eu resolvi, simploriamente, escolher uma e me prostrar a escrever. Aliviar-me... E, por essas e outras, nem sei se o que escrevo será visto por alguém. Prefiro me calar, me preocupar sozinha, não é necessário que outras pessoas tentem tomar conta do que é meu.
E enquanto escrevo me renovo, as coisas eu esqueço. Eu me recupero do dia. O que me aconteceu? Nada, definitivamente nada que mereça atenção e acho que isso é exatamente o que eu devia fazer: não prestar atenção em mais nada. Assim a probabilidade de acreditar que nada me atinge é maior... Oh, Macabéia, me ensine essa sua vida e se eu acabar pela calçada também, quem se importa!?
Eu já sorrio. Forte manifestação sobre si mesma. Bipolar? Quem sabe!?
E depois de escrever tudo acima eu retomo ao estado de costume. Costume para as pessoas que me conhecem. Estou a decidir que não vou disseminar essa mensagem. Porque? Se me arrependi de transcreve-la? Não, só já não a acho mais necessária. Sua função de desencargo já se cumpriu.
Guarda-la? Não.
Se o coração comprime, a temperatura aumenta e os dedos frenéticos digitam é que algo aconteceu.
Vai, meu caro, texto meu, vai fazer sua função. Quem sou eu para impedir-te?
Afinal, "não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim”!
Obs.: Quero, encarecidamente, agradecer a senhorita Cama, sim, senhorita, pois é solteira, essa que me dá suporte todos os dias e que, agora, como uma ótima psicologa, não me respondeu a pergunta, deixando assim a dúvida sadia e molesta, que, dessa forma, dará continuidade a inotória existência minha para aturdir-me outro dia qualquer.
Post-Scriptum: Incrível, a vida surprende: acabo de receber uma bela notícia. É, realmente, são tempos de morangos!
Post-Scriptum: Incrível, a vida surprende: acabo de receber uma bela notícia. É, realmente, são tempos de morangos!