terça-feira, 3 de julho de 2012

Tão perto...

E de repente você se encontra tão perto, tão perto que é possível ouvir a velocidade dos movimentos de sistole e diástole que seu coração exerce e que, de certa forma, me envolve, incontrolavelmente. É imprescindível sentir sua respiração sobre a minha pele. Você se encontra tão próximo e temo que tal proximidade não veio sem motivo. Você sabe o que quer, você sabe, exatamente, o que está fazendo e isso é que me deixa nervosa. Tenho a pretensão de me distanciar, me afastar, fugir desse destino certo que nos aguarda. Quero falar-lhe algo para quebrar esse clima que paira entre nós, mas, porquê? Todas as palavras se esvaíram de minha mente e eu, realmente, necessito delas para resistir. Olhar no fundos dos seus olhos, de tão perto, e não ter o que falar? É uma intimação a não conseguir impedir a inércia que tende fazer minha pessoa prosseguir de encontro a você. Verdadeiramente, o que esperava de mim? Eu tenho certeza que faz isso de propósito, porque sabe o que mexe comigo, o que me atordoa. E eu me encontro ai, perdida, diante de você, tão perto que é melhor não me mover, apesar da dificuldade. Espero que as actinas e miosinas dos meus músculos usem seus neurônios melhor do que eu mesma tenho desejado. Acho que estou assustada, não estou acostumada com essa situação. É, é isso, eu poderia desmaiar, agora, me pouparia de continuar aqui, dessa forma, mas não, eu estou aqui, sã e despertada e meu líbido continua em equilíbrio, tudo funcionando devidamente bem, menos meu coração, descompassado, minha respiração, ofegante, minha pele, suando frio e arrepiada. Como você consegue e aparentemente tão calmo, paciente? Estou me afogando, rapidamente,  nesse turbilhão de pensamentos que afloram em meu consciente e por um instante eu esqueço que estou em frente a você. Com as portas da alma cerradas eu tento me situar, sobreviver. Sua mão repousa, delicadamente, em meus cabelos. Esse momento tem durado uma eternidade, uma eternidade um tanto provocativa. Seus dedos me fazem carinho, circundando minha face e, agora sim, definitivamente, me direcionando para o que ansiamos. E nossos pólos são opostos, eu já não tenho mais o que fazer, não tenho como repelir... E em um sobressalto dou um suspiro de alívio. Me encontrando, entendo que tudo isso não passava de um desejo do meu inconsciente. Ao abrir meus olhos percebo que, realmente, eu havia adormecido, mas em teus braços. E de repente você estava tão perto, tão perto que eu podia sentir teus batimentos cardíacos, sua respiração pausada. Você estava tão perto, tão perto de tornar meu sonho a minha realidade, inefavelmente.