quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Qualé sir? Isso é pessoal?

Às vezes, acredito que o Universo trabalha nos parâmetros de complôs. Ele gera a vida alheia e os acontecimentos, paulatinamente, a medida que ele bem entende e deseja. Os fatos se fixam e percorrem, as coisas transmutam e passam por metamorfoses. Mas o Universo continua aqui, ali e acolá, funcionando com perspectivas de tramoias.
Uns diriam que isso há de se denominar relativismo, outros falariam ser fatores psicológicos e existe quem chame de destino ou coincidência, contudo, a ideia de conspiração universal me soa bem a mente.
Horas que passam desiguais, de modo a nos desfavorecer. Imagens que tendem a se repetir continuamente após atentar-nos a elas uma única vez. Pessoas que cismam em tratar do mesmo assunto, não midiático, na mesma época, quizá para que a nossa absorção se dê com grande efetividade.
E, às vezes, é, às vezes eu me desgasto. Tenho certo incomodo com esse descaso do Universo para conosco, para comigo. Chega ser uma falta de respeito me fazer relevar, com tanta intensidade, as afrontas e desgostos pessoais que parte da sociedade resolve me discursar. Diga-se de passagem: em apresentações cotidianas, monótonas e quase previsíveis.
Pois, dia após dia, vinde alguém relatar-me a mesma história, o mesmo caso, o mesmo fato, todo um contexto que eu já conheço e sei tanto (e muito melhor) quanto eles. Eu vivenciei, uma metade dessas raridades factuais haveria de me pertencer.
As pessoas, quando falam, acreditam compreender, mas, na realidade, enquanto se apresentam, são movidas pela curiosidade do saber, do entender o que se passou, ouvir o que você tem a falar, o seu parecer da história.
E, quando esse contexto se nota, os montes de personagens se elevam, fartos dos mesmos (que deveriam então assim ser) indolores discursos, as imagens surgem e resurgem, os relógios parecem desregulados, a gente percebe a falcatrua do Universo, brincando de Deus com situações que por bons motivos eu acredito que deveriam ser inerentes a ele.

Quem sabe, assim, apenas, só quem sabe, tudo seja uma forma peculiar de fazer-nos superar algumas coisas, aprender outras e obter conhecimento de outras tais. Talvez toda essa onde de inconstância laboral, sejam experimentos de sucesso em nossas vidas. São premissas que tem um bom sentido e que diversas vezes me sujeito a incluí-las em mim. Claro, no auge do conto, há sempre de perpassar na mente pensamentos que fluem embasados no "está certo isso, produção? Tem certeza que quando eu assinei o contrato isso estava no script?".

sábado, 9 de novembro de 2013

A raiz quadrada de 3

"Tenho medo de ser, vejam vocês,
Solitário como a raiz quadrada de 3
Um 3 é tudo o que de mais lindo existe.
Não quero ver você triste...

Por baixo de uma raiz quadrada daninha.
Se eu fosse um 9, você seria minha.
Por que o 9, com sua estética,
Resolve rápido essa aritmética.

Sei que não tenho valor algum
Como 1,7321.
Assim é minha realidade,
Uma triste irracionalidade.

Mas, de repente,
O que no caminho eu vejo?
Outra raiz quadrada de 3 nesse ensejo,
Que vem comigo valsar,
E agora vamos juntos multiplicar,

Para formar um número que preferimos.
Somos um número inteiro quando nos unimos.
Assim, dos laços mortais nos livramos
E com uma varinha mágica acenamos

Para que nossa raiz não seja mais quadrada
E que eu seja renovado por minha amada."

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O gume errado da faca

A madrugada consome minhas horas de pensamentos fartos e relutantes, vindo a resgatar de um lugar comum a mim obras desconhecidas por minha consciência racional e força imagens que poderiam não ser lembradas a percorrerem uma mente que tenta se ordenar.
Fatos e circunstâncias dançam em um seguimento limitado. Suas coreografias se combinam e se distorcem entre si, transformando a cena precisa em algo ilusoriamente contraditório.
Estranho como as reviravoltas de situações deixam coisas tão complicadas e incrivelmente facilitam outras. Me intriga como momentos que eram para serem lembrados positivamente vinculam-se a estigmas de carga negativa. E nesse emaranhado há sempre de saltar um burburinho expresso de confusão.
Pois bem, acho que esse é um daqueles momentos em que pode ser dito: “Oi, seja bem-vinda de volta, sua falta foi sentida, ó cara e ilustre, realidade constante minha”. Uma hora ou outra eu aprendo a conviver contigo, sem me surpreender, sem me incomodar com os flagelos restantes das últimas aventuras desordeiras que me há proporcionado.
Por enquanto eu me atenho a lembrar uma frase de um filósofo, um teólogo, que cruzou as fronteiras da psicologia e da literatura, Søren Kierkegaard, que aplicou em algum lugar à vida, a saber, que "a vida é vivida para a frente, mas é compreendida para trás": o mesmo ocorre com a história de um individuo, bem como com o discurso que a relata. E se não quisermos compreendê-la assim, estaremos nos condenando não só a ignorá-la para sempre mas também a vivê-la na contramão de um percurso, transpassado.
Eis que já me encontro delineando um caminho sobre o meio-fio, perpassando pé por pé em uma corda bamba, olhando sempre adiante, para ter no mínimo uma vaga noção do trajeto que vou trilhando, e já evitando direcionar a vista para trás, para não ver apenas a fenda onde jamais poderei voltar a pisar. Enfim... Ando em ponto de equilíbrio: com os pés no chão e a cabeça nas nuvens.

(Começo do processo de escrita em 04 de agosto de 2013)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O dito 12 de Junho

Eis que chega essa data novamente... Data que inspira uns seres que circundam o estado afetivo da paixão. Enquanto uns em tal data fazem questão de exalar ao mundo o carinho que os mesmos tem reciprocamente por seus amados, outros tem a mesma necessidade de lastimar-se por não ter com quem compartilhar essa data.
Eu, particularmente, não me encontro entre os grupos supracitados, pois não exalo nada. Acredito sim que tal data é um espécie de convenção social feita para mostrar aqueles que não se encontram nela o quão deplorável é a vida deles com tanto romance ao redor. O que chega a ser hipocrisia, visto que o estado de relacionamento que me encontro é realmente o que eu gostaria, assim como muitos outros seres espalhados por ai que tiram o dia de hoje para reclamar.
A vocês, melosos de plantão, felicidades e prosperidade. Mas quero deixar bem claro que não desejo isso, com vigor, a todos vocês, só aos verdadeiros enamorados, porque o número de seres que mudaram seu status de relacionamento nessa semana só para não pertencer ao grupo dos não-comemorantes é esplêndido.
Se você, meu caro, suposto, leitor, pertence ao grupo dos amantes, parabenizo-os, mas lembro-lhes para que levem a magia da data para o dia-a-dia e não se deixem prender a convenção social que faz pessoas como eu nem ao menos poder cogitar ir ao cinema em um dia assim.
Porém, contudo, entretanto e todavia, se faz parte dos que não podem sair pelas ruas sem parecer um castiçal, venho dizer que o dia é deles, mas a noite é... Não, não se engane, se você sair a noite ainda será vítima dos melodramas que te fazem, nem que seja apenas por esse único dia, deprimir-se. Acho que não posso dizer nada muito animador para nós sem vir a ser demode, clichê, mas, penso que temos que ficar contentes por esses seres terem um dia para eles, sem se sentirem mal por nós, os carentes da vez, demonstrarmos como é bom o nosso lado.
Baseando-me em John Green, eu diria, aos pares felizardos de hoje, que vocês estão apaixonados e não se negam a compartilhar algo verdadeiro. Estão apaixonados e sabem que o amor é um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que todos estão condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo que fizeram voltará ao pó, e que o sol vai engolir a única Terra que possam chamar de vossa, e vocês estão apaixonados.
E, a nós uma última lição sábia e inspiradora, como li em uma imagem divulgada em uma rede social tão propagada, "estar solteiro no dia dos namorados é como estar vivo no dia de finados: você pode não participar da comemoração, mas pode estar melhor do que os homenageados".

sexta-feira, 29 de março de 2013

Simbolismo do Primeiro Lisonjeio

Juntamente aos dias turvos de uma vida incerta, eles conviviam e tentavam se estabilizar. E, contextualizado, um cotidiano corrido e rotineiro acompanhava os pensamentos embaraçados que matinavam na mente já conturbada da pequena menina. À mercê, entregue a situações inesperadas e bombardilhada de novas sensações, ela esgueirava-se pela margem de lucidez que ainda a detinha. Não era possível admitir, assim, tão facilmente, para si mesma, que estava sendo afetada, a ponto de querer transmitir o que se passava com ela. Vindo, uma vez, os constantes acessos de fragmentadas crises, começava a se mostrar em clara plenitude o que estava acontecendo, era inerente ao singelo ser que ela habitava. A necessidade de contar se tornara evidente nela. Letras, porém, não lhe fariam jus, eram precisas palavras, reações, encarar, ver o olhar, sentir a precisão dos nervos: letras não seriam suficientes para ela. Detrás, entretanto, da confiança da fala, o redemoinho de inexatidão se engrandava e atordoava os anseios dela. Era um caminho, com dois portais, porque portas seriam algo simplório demais para ela acreditar.
Vejo eu, a essa altura, que - e faço pausa nessa humilde narrativa, nesse excerto de história - o que escrevo é de grande injustiça, a fim podendo ser classificado até mesmo como injúria, pois, não sou ninguém para poder argumentar com esplêndida veracidade as destrezas da menina, não poderia utilizar de palavras para demostrar o que a mente da própria a proporcionou, mas... - continuemos o que dei início.
Impacto, a dádiva certa oferecida pelas circunstâncias: diante disso, ela escolheu a estrada mais infundada, bem digno dela, e foi dizendo de mansinho, talvez porque tinha a esperança de ser inaudível, perante a ocorrência, que precisava contar-lhe algo, e, sabemos, que uma vez prometido, deve ser dito. Na inexperiência do momento, os pulsos aceleraram, os magnânimos discursos se esvaíram, e tudo saiu meio jogado, borrado, sem jeito, todavia, saiu, foi dito, ouvido, anexado, e até mesmo, assim digamos, pausadamente, sen-ti-do... !?
O que, contudo, nesse trecho de trajetória, me deixa, certamente, enraizada é o que pode ter acontecido depois, ou melhor, nem seria isso, mas sim, o que eu realmente gostaria de ter um mínimo de consciência, contato literário, que seja, pois seria de ajuda, para compreender essa ventania geral, era o que se passava com ele, mas... isso é apenas uma ilusão, um desvaneio de uma descritora lúcida. Tolerarei, por conseguinte, de modo que não tenho, que seja empírico, nada mais, um suposto final feliz, bem categórico de um "era uma vez", para a satisfação dos amantes das fábulas, mesmo acreditando na existência de um provável redemoinho de inexatidão ainda perpassando nos pensamentos dela.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Doses em um Cotidiano Incerto

Escrito dia 19/10/12:

"Parou, assim tão de repente, parou do nada, sem graça, sem jeito, com toda aquela estupefação da vida, que agora decorria, com uma situação inusitada, em sua frente. Quem parou? Se algum deles parou, eu já não sei. Se alguém realmente parou, eu não faço ideia, mas tenho certeza que aquele coraçãozinho, todo apertadinho lá dentro, encontrava uma certa dificuldade em se apresentar em total constância. Descompassado, coitado, talvez até já esquecesse qual era sua real função. Digamos assim: foi ele quem parou. Não porque não batesse, pelo contrário, mas sim porque, de certa forma, o impacto lhe causado, foi grande, o sufocara. E em meio ao ocorrido, ele ali parado, já não sabia que rumo tomar. Cresceu, mal cabia em si, mas não sabia se expressar, era novato, calouro nessa modalidade. Ficou a admirar o que se passava, estava feliz, esperara por isso - parece que não era o único que se encontrava nesse estado. E como mais haveria de ser?
Ao sair, da mesma forma se apresentou: tímido, sem graça, sem reação, mas tinha uma necessidade em se comunicar. Contudo, nada disse. Nada válido. Chovia. Chuva mansa, calma, gotículas aliviadas de um céu contente. O mundo poderia até ser igual, mas agora eles eram diferentes. Desconcertados, incertos, seguiam de mãos dadas, se despediam da mesma maneira de sempre. Mas, algo ali dentro, já plantado, havia aflorado. Quem diria que era possível!? Creio que todos, na verdade. Só era mais complicado, para os envolvidos, aceitarem o fato.
Uma vez realidade, não há regresso. Talvez um dia dê certo, talvez se convençam, talvez prossigam, talvez só não se arrependam. E que, com essa mesma magia, acumulada entre as batidas descompassadas que tiram a fala, mas invocam a alma, os olhos se cruzem, as palavras se encaixem, as mãos se toquem e que as doses, desse drama do coração, se repitam."

By: Jéssica Diniz

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"Algum lugar, 15 de janeiro de 2013.

Venho por meio desta, singela e esclarecida carta, enviar-lhe essa mensagem sublime, para você que, provavelmente, me esqueceu em um canto qualquer.
Sinceramente eu não sei o que você queria, qual era sua verídica intenção com toda essa história, mas, pronto, de alguma forma, não tão, enigmática, acredito que você conseguiu realizar seu propósito, do jeito mais nobre e autentico possível, esperando. A espera pode vir a ser cansativa, porém, devemos reconhecer, que pode essa trazer resultados satisfatórios.
Não sei reconhecer se foi pensado, muito bem arquitetado ou apenas foi acontecendo, na timidez, na precaução. Acredito fielmente que foi planejado. Você sabe o que faz. Analisa com cuidado. Entre tantas engrenagens que movimentam o mundo, você, meu caro, com cautela conseguiu: cá estou eu, entre quedas, tropeços e penhascos. Sem, coitada de mim, ao menos ter uma vaga ideia concreta perante ao saber, não duvidoso, do que você pretende, e sem coragem, o que me aflige, atordoa, inquieta, de dizer o que quero. Idiota? Talvez. Quem sabe seja só o medo da ilusão que me assombra a mente.
Eu não posso, não deveria e certamente não quero ficar, permanecer, assim, contudo, as notas que me pertencem não querem exercer a função de comunicar, exaltar, esse fato. Exprimir o que carrego comigo há de ser tarefa mais árdua do que ansiava. Me diga o que fazer!? Por favor. Eu não aguento mais. Eu, e você, temos as respostas, e as perguntas, desse nosso jogo. Peças a serem movidas, movimentadas, expostas.
E o tempo (?)... passa.
Mas... Que assim seja. Conformidade também pode ser uma virtude, tal qual a ignorância. O universo, seja retrocedendo, estático ou expandindo, vai acontecendo. Eu ficarei aqui e você? Não sei, mas ficará bem, como já está. Eu só estive por aqui para declarar que, talvez mesmo sem saber, sem se ater ao desenrolar da narração, você foi vitorioso em sua causa e, eu, aos poucos, sem perceber quando, me encontrei com o estado afetivo, circundando, procurando por você. E, por fim, sinta-se honrado.
Parabéns a você, que infortunadamente, por uma bravíssima ironia destino, nunca receberá essa carta, pertencente a ninguém. Você não precisa, necessita, dela. As respostas minhas já residem em ti, mas o trajeto do conto pode te-las escondido, em sua vasta consciência.

                                                                                        Aqui jaz uma notória amiga, 
que se encontra perdida entre 
as constelações do universo."