Venho por meio desta, singela e esclarecida carta, enviar-lhe essa mensagem sublime, para você que, provavelmente, me esqueceu em um canto qualquer.
Sinceramente eu não sei o que você queria, qual era sua verídica intenção com toda essa história, mas, pronto, de alguma forma, não tão, enigmática, acredito que você conseguiu realizar seu propósito, do jeito mais nobre e autentico possível, esperando. A espera pode vir a ser cansativa, porém, devemos reconhecer, que pode essa trazer resultados satisfatórios.
Não sei reconhecer se foi pensado, muito bem arquitetado ou apenas foi acontecendo, na timidez, na precaução. Acredito fielmente que foi planejado. Você sabe o que faz. Analisa com cuidado. Entre tantas engrenagens que movimentam o mundo, você, meu caro, com cautela conseguiu: cá estou eu, entre quedas, tropeços e penhascos. Sem, coitada de mim, ao menos ter uma vaga ideia concreta perante ao saber, não duvidoso, do que você pretende, e sem coragem, o que me aflige, atordoa, inquieta, de dizer o que quero. Idiota? Talvez. Quem sabe seja só o medo da ilusão que me assombra a mente.
Eu não posso, não deveria e certamente não quero ficar, permanecer, assim, contudo, as notas que me pertencem não querem exercer a função de comunicar, exaltar, esse fato. Exprimir o que carrego comigo há de ser tarefa mais árdua do que ansiava. Me diga o que fazer!? Por favor. Eu não aguento mais. Eu, e você, temos as respostas, e as perguntas, desse nosso jogo. Peças a serem movidas, movimentadas, expostas.
E o tempo (?)... passa.
Mas... Que assim seja. Conformidade também pode ser uma virtude, tal qual a ignorância. O universo, seja retrocedendo, estático ou expandindo, vai acontecendo. Eu ficarei aqui e você? Não sei, mas ficará bem, como já está. Eu só estive por aqui para declarar que, talvez mesmo sem saber, sem se ater ao desenrolar da narração, você foi vitorioso em sua causa e, eu, aos poucos, sem perceber quando, me encontrei com o estado afetivo, circundando, procurando por você. E, por fim, sinta-se honrado.
Parabéns a você, que infortunadamente, por uma bravíssima ironia destino, nunca receberá essa carta, pertencente a ninguém. Você não precisa, necessita, dela. As respostas minhas já residem em ti, mas o trajeto do conto pode te-las escondido, em sua vasta consciência.
Aqui jaz uma notória amiga,
que se encontra perdida entre
as constelações do universo."
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