segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Doses em um Cotidiano Incerto

Escrito dia 19/10/12:

"Parou, assim tão de repente, parou do nada, sem graça, sem jeito, com toda aquela estupefação da vida, que agora decorria, com uma situação inusitada, em sua frente. Quem parou? Se algum deles parou, eu já não sei. Se alguém realmente parou, eu não faço ideia, mas tenho certeza que aquele coraçãozinho, todo apertadinho lá dentro, encontrava uma certa dificuldade em se apresentar em total constância. Descompassado, coitado, talvez até já esquecesse qual era sua real função. Digamos assim: foi ele quem parou. Não porque não batesse, pelo contrário, mas sim porque, de certa forma, o impacto lhe causado, foi grande, o sufocara. E em meio ao ocorrido, ele ali parado, já não sabia que rumo tomar. Cresceu, mal cabia em si, mas não sabia se expressar, era novato, calouro nessa modalidade. Ficou a admirar o que se passava, estava feliz, esperara por isso - parece que não era o único que se encontrava nesse estado. E como mais haveria de ser?
Ao sair, da mesma forma se apresentou: tímido, sem graça, sem reação, mas tinha uma necessidade em se comunicar. Contudo, nada disse. Nada válido. Chovia. Chuva mansa, calma, gotículas aliviadas de um céu contente. O mundo poderia até ser igual, mas agora eles eram diferentes. Desconcertados, incertos, seguiam de mãos dadas, se despediam da mesma maneira de sempre. Mas, algo ali dentro, já plantado, havia aflorado. Quem diria que era possível!? Creio que todos, na verdade. Só era mais complicado, para os envolvidos, aceitarem o fato.
Uma vez realidade, não há regresso. Talvez um dia dê certo, talvez se convençam, talvez prossigam, talvez só não se arrependam. E que, com essa mesma magia, acumulada entre as batidas descompassadas que tiram a fala, mas invocam a alma, os olhos se cruzem, as palavras se encaixem, as mãos se toquem e que as doses, desse drama do coração, se repitam."

By: Jéssica Diniz

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