sexta-feira, 29 de março de 2013

Simbolismo do Primeiro Lisonjeio

Juntamente aos dias turvos de uma vida incerta, eles conviviam e tentavam se estabilizar. E, contextualizado, um cotidiano corrido e rotineiro acompanhava os pensamentos embaraçados que matinavam na mente já conturbada da pequena menina. À mercê, entregue a situações inesperadas e bombardilhada de novas sensações, ela esgueirava-se pela margem de lucidez que ainda a detinha. Não era possível admitir, assim, tão facilmente, para si mesma, que estava sendo afetada, a ponto de querer transmitir o que se passava com ela. Vindo, uma vez, os constantes acessos de fragmentadas crises, começava a se mostrar em clara plenitude o que estava acontecendo, era inerente ao singelo ser que ela habitava. A necessidade de contar se tornara evidente nela. Letras, porém, não lhe fariam jus, eram precisas palavras, reações, encarar, ver o olhar, sentir a precisão dos nervos: letras não seriam suficientes para ela. Detrás, entretanto, da confiança da fala, o redemoinho de inexatidão se engrandava e atordoava os anseios dela. Era um caminho, com dois portais, porque portas seriam algo simplório demais para ela acreditar.
Vejo eu, a essa altura, que - e faço pausa nessa humilde narrativa, nesse excerto de história - o que escrevo é de grande injustiça, a fim podendo ser classificado até mesmo como injúria, pois, não sou ninguém para poder argumentar com esplêndida veracidade as destrezas da menina, não poderia utilizar de palavras para demostrar o que a mente da própria a proporcionou, mas... - continuemos o que dei início.
Impacto, a dádiva certa oferecida pelas circunstâncias: diante disso, ela escolheu a estrada mais infundada, bem digno dela, e foi dizendo de mansinho, talvez porque tinha a esperança de ser inaudível, perante a ocorrência, que precisava contar-lhe algo, e, sabemos, que uma vez prometido, deve ser dito. Na inexperiência do momento, os pulsos aceleraram, os magnânimos discursos se esvaíram, e tudo saiu meio jogado, borrado, sem jeito, todavia, saiu, foi dito, ouvido, anexado, e até mesmo, assim digamos, pausadamente, sen-ti-do... !?
O que, contudo, nesse trecho de trajetória, me deixa, certamente, enraizada é o que pode ter acontecido depois, ou melhor, nem seria isso, mas sim, o que eu realmente gostaria de ter um mínimo de consciência, contato literário, que seja, pois seria de ajuda, para compreender essa ventania geral, era o que se passava com ele, mas... isso é apenas uma ilusão, um desvaneio de uma descritora lúcida. Tolerarei, por conseguinte, de modo que não tenho, que seja empírico, nada mais, um suposto final feliz, bem categórico de um "era uma vez", para a satisfação dos amantes das fábulas, mesmo acreditando na existência de um provável redemoinho de inexatidão ainda perpassando nos pensamentos dela.

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