sábado, 9 de novembro de 2013

A raiz quadrada de 3

"Tenho medo de ser, vejam vocês,
Solitário como a raiz quadrada de 3
Um 3 é tudo o que de mais lindo existe.
Não quero ver você triste...

Por baixo de uma raiz quadrada daninha.
Se eu fosse um 9, você seria minha.
Por que o 9, com sua estética,
Resolve rápido essa aritmética.

Sei que não tenho valor algum
Como 1,7321.
Assim é minha realidade,
Uma triste irracionalidade.

Mas, de repente,
O que no caminho eu vejo?
Outra raiz quadrada de 3 nesse ensejo,
Que vem comigo valsar,
E agora vamos juntos multiplicar,

Para formar um número que preferimos.
Somos um número inteiro quando nos unimos.
Assim, dos laços mortais nos livramos
E com uma varinha mágica acenamos

Para que nossa raiz não seja mais quadrada
E que eu seja renovado por minha amada."

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O gume errado da faca

A madrugada consome minhas horas de pensamentos fartos e relutantes, vindo a resgatar de um lugar comum a mim obras desconhecidas por minha consciência racional e força imagens que poderiam não ser lembradas a percorrerem uma mente que tenta se ordenar.
Fatos e circunstâncias dançam em um seguimento limitado. Suas coreografias se combinam e se distorcem entre si, transformando a cena precisa em algo ilusoriamente contraditório.
Estranho como as reviravoltas de situações deixam coisas tão complicadas e incrivelmente facilitam outras. Me intriga como momentos que eram para serem lembrados positivamente vinculam-se a estigmas de carga negativa. E nesse emaranhado há sempre de saltar um burburinho expresso de confusão.
Pois bem, acho que esse é um daqueles momentos em que pode ser dito: “Oi, seja bem-vinda de volta, sua falta foi sentida, ó cara e ilustre, realidade constante minha”. Uma hora ou outra eu aprendo a conviver contigo, sem me surpreender, sem me incomodar com os flagelos restantes das últimas aventuras desordeiras que me há proporcionado.
Por enquanto eu me atenho a lembrar uma frase de um filósofo, um teólogo, que cruzou as fronteiras da psicologia e da literatura, Søren Kierkegaard, que aplicou em algum lugar à vida, a saber, que "a vida é vivida para a frente, mas é compreendida para trás": o mesmo ocorre com a história de um individuo, bem como com o discurso que a relata. E se não quisermos compreendê-la assim, estaremos nos condenando não só a ignorá-la para sempre mas também a vivê-la na contramão de um percurso, transpassado.
Eis que já me encontro delineando um caminho sobre o meio-fio, perpassando pé por pé em uma corda bamba, olhando sempre adiante, para ter no mínimo uma vaga noção do trajeto que vou trilhando, e já evitando direcionar a vista para trás, para não ver apenas a fenda onde jamais poderei voltar a pisar. Enfim... Ando em ponto de equilíbrio: com os pés no chão e a cabeça nas nuvens.

(Começo do processo de escrita em 04 de agosto de 2013)