Às vezes, acredito que o Universo
trabalha nos parâmetros de complôs. Ele gera a vida alheia e os acontecimentos,
paulatinamente, a medida que ele bem entende e deseja. Os fatos se fixam e
percorrem, as coisas transmutam e passam por metamorfoses. Mas o Universo
continua aqui, ali e acolá, funcionando com perspectivas de tramoias.
Uns diriam que isso há de se
denominar relativismo, outros falariam ser fatores psicológicos e existe quem
chame de destino ou coincidência, contudo, a ideia de conspiração universal me
soa bem a mente.
Horas que passam desiguais, de
modo a nos desfavorecer. Imagens que tendem a se repetir continuamente após
atentar-nos a elas uma única vez. Pessoas que cismam em tratar do mesmo
assunto, não midiático, na mesma época, quizá para que a nossa absorção se dê
com grande efetividade.
E, às vezes, é, às vezes eu me
desgasto. Tenho certo incomodo com esse descaso do Universo para conosco, para
comigo. Chega ser uma falta de respeito me fazer relevar, com tanta
intensidade, as afrontas e desgostos pessoais que parte da sociedade resolve me
discursar. Diga-se de passagem: em apresentações cotidianas, monótonas e quase
previsíveis.
Pois, dia após dia, vinde alguém
relatar-me a mesma história, o mesmo caso, o mesmo fato, todo um contexto que
eu já conheço e sei tanto (e muito melhor) quanto eles. Eu vivenciei, uma metade
dessas raridades factuais haveria de me pertencer.
As pessoas, quando falam,
acreditam compreender, mas, na realidade, enquanto se apresentam, são movidas
pela curiosidade do saber, do entender o que se passou, ouvir o que você tem a
falar, o seu parecer da história.
E, quando esse contexto se nota,
os montes de personagens se elevam, fartos dos mesmos (que deveriam então assim
ser) indolores discursos, as imagens surgem e resurgem, os relógios parecem
desregulados, a gente percebe a falcatrua do Universo, brincando de Deus com
situações que por bons motivos eu acredito que deveriam ser inerentes a ele.
Quem sabe, assim, apenas, só quem
sabe, tudo seja uma forma peculiar de fazer-nos superar algumas coisas,
aprender outras e obter conhecimento de outras tais. Talvez toda essa onde de
inconstância laboral, sejam experimentos de sucesso em nossas vidas. São
premissas que tem um bom sentido e que diversas vezes me sujeito a incluí-las
em mim. Claro, no auge do conto, há sempre de perpassar na mente pensamentos
que fluem embasados no "está certo isso, produção? Tem certeza que quando
eu assinei o contrato isso estava no script?".
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