Você quis partir e eu não estava disposta a implorar para que permanecesse. Eu fui embora uma vez, eu precisava. Tinha consciência que às vezes há necessidades que nos fazem até mesmo deixar alguém que se gosta. Não te julgaria por isso.
Você não entendeu meu gesto e eu não acreditei ser válido me defender. Se você não compreendia, talvez realmente não fizesse sentido. Eu ouvi quieta os seus desabafos. Tinha ideia do que podia acarretar, mas, eu estava disposta a me submeter. Não te culparia por isso.
Você disse, foi e fez. Contudo, algo aquietava-lhe. Transtorno. Eu ouvi, vi e senti. Me coloquei a disposição. Mesmo ferida.
Se recuperou, prosseguiu e, algumas vezes, tive sinais de sua vida. Ou a parte que você tinha coragem de me comunicar. Foi uma fase uma tanto complicada.
E eu perdi o controle, pensei demais, chorei. Chorei. Pensei. Escrevi. Chorei. "Está tudo bem?" - "Estou ótima!". Chorei. Vi estrelas cadentes. Chorei. Enfim, epifania.
E o encaixe tinha concerto. Realmente, estava tudo bem. Agradável, satisfatório. É o que, invalidamente, acreditei. Até você decidir voltar, até o que seria a sua próxima conturbação. Elas, de uma maneira ou outra, sempre me envolveram.
Me recompus. Era preciso ajudar-lhe. E, lidar com você? Questão de tempo, habilidade e conhecimento. Sobre você. E sobre mim. Mas, cuidar de você, tratar-lhe... Isso já não era mais responsabilidade minha, há meses!? Pois bem, não deveria ser.
Um clamor. Em um recado de urgência. Aflição. Em um telefonema. Me deixar de fora nunca pareceu uma possibilidade, ao meu ver, para você. Perante e durante o passar dos dias que me conheceu, fez-me muitas promessas, mas, uma, colocou implicitamente - eu seria sua: sua salvação, sua falha, sua culpa, sua desculpa, sua presença, sua falta, sua cura, sua crise.
Sofres? Eu sei que sim. Passou por fatos complicados, situações alarmantes. Mas, com pesar, não foste o único. Teve desventuras. Tão e quão drásticas outros tantos puderem fatidicamente ter.
Um ano para se apagar? Porque não dois!? Foi uma bela intercalada. Fez-lhe mal? Adivinhe, eu também senti, em mim. Uma montanha-russa, invariavelmente entre altos e baixos.
“Não demores assim, que é exasperante. Você quis partir, vai-te embora”. E veja bem se vai voltar, dessa vez. Analise bem se é mesmo o que quer. Não sou uma vítima. Indefesa. Boa menina. Antídoto. Mas também mereço sair e me descobrir. Não posso garantir quedar imutável, e a sua espera.
Veja bem, em meio aos “até mais” poderá ouvir um “adeus”. Não é por maldade, espero que entenda. Sempre foi muito exaustivo sentir-te ir e vir.
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