Trechos e Gracejos

  sábado, 20 de fevereiro de 2014


Memórias de um Sargento de Milícias

"Dizem todos, e os poetas juram e tresjuram, que o verdadeiro amor é o primeiro; temos estudado a matéria, e acreditamos hoje que não há que fiar em poetas: chegamos por nossas investigações à conclusão de que o verdadeiro amor, ou são todos ou é um só, e neste caso não é o primeiro, é o último. O último é que é o verdadeiro, porque é o único que não muda. As leitoras que não concordarem com esta doutrina convençam-me do contrário, se são disso capazes."


sábado, 12 de maio de 2012

Inspirações

"Nel mezzo del cammin di nostra vita                               "Nel mezzo del camin... mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.                                              Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
                                                                                             E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Ah quanto a dir qual era è cosa dura                                   Tinhas a alma de sonhos povoada esta selvaselvaggia e aspra e forte                                                      E a alma de sonhos povoada eu tinha...

che nel pensier rinova la paura!
                                                                                            E paramos de súbito na estrada

Tant'è amara che poco è più morte;                                    Da vida: longos anos, presa à minha mão
per trattar del ben ch'i' vi trovai,                                         A tua mão, a vista deslumbrada
dirò de l'altre cose ch'i' v'ho scorte.                                    Tive da luz que teu olhar continha.

Io non so ben ridir com'i' v'intrai,                                       Hoje, segues de novo... Na partida
tant'era pien di sonno a quel punto                                     Nem o pranto os teus olhos umedece,
che la verace via abbandonai.                                             Nem te comove a dor da despedida.
Ma poi ch'i' fui al piè d'un colle giunto,                              E eu, solitário, volto a face, e tremo,
là dove terminava quella valle                                            Vendo o teu vulto que desaparece
che m'avea di paura il cor compunto,                                 Na extrema curva do caminho extremo."
guardai in alto, e vidi le sue spalle                                                                               Olavo Bilac

vestite già de' raggi del pianeta
che mena dritto altrui per ogne calle.                            "No meio do caminho tinha uma pedra 
                                                                                        tinha uma pedra no meio do caminho

Allor fu la paura un poco queta                                      tinha uma pedra
che nel lago del cor m'era durata                                    no meio do caminho tinha uma pedra.la notte ch'i' passai con tanta pieta.
                                                                                        Nunca me esquecerei desse acontecimento
E come quei che con lena affannata                               na vida de minhas retinas tão fatigadas.uscito fuor del pelago a la riva                                       Nunca me esquecerei que no meio do caminho
si volge a l'acqua perigliosa e guata,                              tinha uma pedra
                                                                                        tinha uma pedra no meio do caminho
così l'animo mio, ch'ancor fuggiva,                                no meio do caminho tinha uma pedra"
si volse a retro a rimirar lo passo
che non lasciò già mai persona viva."                                                                     Carlos Drummond

                                 Dante Alighieri 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


Caio Fernando de Abreu

"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas. Se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha e tenho pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."


sábado, 05 de novembro de 2011


"Pequeno Concerto que virou Canção"


"Não, não há por que mentir ou esconder
A dor que foi maior do que é capaz meu coração
Não, nem há por que seguir cantando só para explicar
Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar
Ah, eu vou voltar pra mim
Seguir sozinho assim
Até me consumir ou consumir toda essa dor
Até sentir de novo o coração capaz de amor."

 

sábado, 03 de setembro de 2011


"Hamlet"

"Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para alma: sofrer os dardos e setas de um destino cruel, ou pegar em armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... Dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer... Dormir!... Talvez sonhar! Sim, eis a dificuldade! Porque é forçoso que nos detenhamos a considerar que sonhos possam sobrevir, durante o sono da morte, quando nos tenhamos libertado do torvelhinho da vida. Aí está a reflexão que dá à desventura uma vida assim tão longa! Pois, senão, quem suportaria os insultos e desdéns do tempo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as angústias de um amor desprezado, a morosidade da lei, as insolências do poder e as humilhações que o paciente mérito recebe do homem indigno, quando ele próprio pudesse encontrar repouso com um simples estilete? Quem gostaria suportar tão duras cargas, gemendo e suando sob o peso de uma vida afonosa, se não fosse o temor de alguma coisa depois da morte, região misteriosa de onde nenhum viajante jamais voltou, confundindo nossa vontade e impelindo -nos a suportar aqueles males que nos aflingirem, em vez de nos lançarmos a outros que desconhecemos? E é assim que a consciência nos transforma em covardes, é assim que o primitivo verdor de nossas resoluções se debilita na pálida sombra do pensamento e é assim que as empreitadas de maior alento e importância, com semelhantes reflexões, desviam seu curso e deixam de ter o nome de ação. Agora, silêncio!... A bela Ófelia! Ninfa, em tuas orações, que os meus pecados sejam lembrados!"

 

sábado, 18 de junho de 2011


"A Moreninha"

(...)
"- O que quiserem... Serei incorrigível, romântico ou velhaco, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou, enfim, mau e perigoso, e vocês inocentes e anjinhos. Todavia, eu a ninguém escondo os sentimentos que ainda há pouco mostrei: em toda parte confesso que sou volúvel, inconstante e incapaz de amar três dias um mesmo objeto; verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem um "eu vos amo", mas também a nenhuma pedi ainda que me desse fé; pelo contrário, digo a todas o como sou; e se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis, a culpa, certo que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas... sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... Mas entre nós há sempre uma grande diferença; vós enganais e eu desengano; eu digo a verdade e vós, meus senhores, mentis... 
- Está romântico!... está romântico!...exclamaram os três, rindo às gargalhadas.
- A alma que Deus me deu, continuou Augusto, é sensível demais para reter por muito tempo uma mesma impressão. Sou inconstante, mas sou feliz na minha inconstância, porque, apaixonando-me tantas vezes, não chego nunca a amar uma vez...
- Oh!... oh!... que horror!... que horror!...
- Sim! esse sentimento que voto às vezes a dez jovens num só dia, às vezes numa mesma hora, não é amor, certamente. Por minha vida, interessantes senhores, meus pensamentos nunca têm damas; porque sempre têm damas; eu nunca amei.... eu não amo ainda... eu não amarei jamais..."
(...) 

terça-feira, 26 de abril de 2011


"Caminante no hay camino"


Inspirada en el poema de Antonio Machado "Caminante no hay camino" el autor Joan Manuel Serrat escribió esta canción debajo. Ella me encanta, así he puesto acá.


"Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo camino
Camino sobre la mar
Nunca persegu la gloria
Ni dejar la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingravidos y gentiles
Como pompas de jabon
Me gusta verlos pintarse
De Sol y grana volar
Bajo el cielo azul temblar
Subitamente y quebrarse
Nunca persegu la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Al andar, se hace camino, y al volver la vista atras
Se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino, sino estelas en la mar
Hace algun tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oy la voz de un poeta gritar:
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un pas vecino
Al alejarse le vieron llorar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Golpe a golpe, verso a verso
Golpe a golpe, verso a verso"


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011


"Apenas Mais uma de Amor"

Gostei dessa música e eu acredito que seja um bom método de vivência... Talvez eu comece a pratica-lo ou até mesmo já pratique (acredito que a segunda opção é bem mais provável, pelo menos no meu caso).


Apenas Mais Uma de Amor

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber


Afinal, eu sou do tipo daquelas que tem "tudo" para si mesma, sou meu próprio diário, minha própria confidente... E confessar, admitir, algo a ti mesmo é, sem dúvida, na minha humilde e modesta opinião, mais difícil, e se já pude fazer isso então já fiz o "pior" (rs's) porque no momento que admito eu começo a viver essa realidade! "E se amanhã não for nada disso caberá só a mim esquecer, o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber".

Um comentário:

  1. eu sempre leio o texto do Caio Fernando de Abreu e penso "O 'se encontrar de novo' não poderia ser amanhã?", um dia sem você é muito, e pode ter certeza de que eu te AMO MUITO!!!

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